Search

Quem era Kane Tanaka, a mulher mais velha do mundo que morreu aos 116 anos?

Uma das grandes dúvidas de todo ser humano é: "Quanto tempo tenho de vida?" "Será que chegarei lá?", "O que o futuro reserva pra mim?", entre outras perguntas que só a própria pessoa encontrará a resposta, uma vez que há bilhões de estilos de vidas diferentes, com cada pessoa tendo destino certo ou duvidoso sobre a trajetória de sua vida.


Mas no caso de Kane Tanaka, que faleceu na última terça, dia 19, foi uma longevidade de quatro gerações imperiais em 116 anos, que levou a cidadã de Fukuoka a receber o prêmio Guinness de mulher mais velha do mundo.


O post do mês de abril de 2022 será em homenagem e memória a sua vida.

Kane Tanaka nasceu na primeira sexta-feira do ano de 1903, em 2 de janeiro, no Vilarejo de Wajiro, onde hoje é o Higashi-ku (Ala Leste) da província de Fukuoka.


Ela foi registrada como Kane Ota, e ela foi a sétima filha e terceira menina de Kumayoshi e Kuma Ota. Há controvérsias em relação a sua verdadeira data de nascimento, pois a própria Kane e sua família disseram que ela havia nascido em 26 de dezembro do ano passado (1902) e seus pais atrasaram seu registro, pois havia uma dúvida se a recém-nascida sobreviveria ou não, uma vez que nasceu prematuramente.


Mas no fim ela conseguiu sobreviver, dar os primeiros passos, falar as primeiras palavras e depois começou sua fase de crescimento. A primeira infância de Kane foi durante os últimos anos do período Meiji, que terminou quando ela tinha nove anos, em 1912.


10 anos depois, em 1922, Kane aos 19 anos se casou com seu primo, Hideo Tanaka. O casal teve quatro filhos, sendo duas meninas e dois meninos, além de adotar sua sobrinha que era filha da irmã de seu esposo.


Sua primeira filha teve morte prematura e sua segunda filha morreu em 1947. Dois anos antes, em 1945, sua filha adotiva viria a morrer vítima de uma doença não especificada aos 23 anos.


Kane e Hideo se sustentaram como vendedores em uma loja onde vendia macarrão no estilo shiruko e também udon.


Com a Segunda Guerra Mundial prestes a eclodir, seu marido foi recrutado para lutar lado a lado com Hirohito e Hideki Tojo entre 1937 e 1939. No fim dela, um de seus filhos, que também foi recrutado para defender o Japão, havia sido capturado como prisioneiro de guerra, sendo mantido como cativeiro na Sibéria. Foi libertado dois anos depois.


Após a Segunda Guerra Mundial, o casal continuou trabalhando na loja, com Kane se convertendo ao cristianismo.


Mais tarde, aos 63 anos, aposentando-se de trabalhar em sua loja, Kane viajou para os EUA na década de 1970 para visitar seus parentes na Califórnia e no Colorado. Seu marido morreu em 1993 aos 90 anos, após 71 anos de casamento.


O tempo foi passando então, até chegar a atualidade. Em setembro de 2018, aos 118, ela morava em um asilo em Higashi-ku, no mesmo local onde ela nasceu e viveu por toda a vida.


Sua história passou a virar notícia em todo o Japão e de muita fama, foi escolhida para segurar a tocha olímpica dos Jogos Olímpicos de Tóquio, algo que ela não teve o privilégio de poder fazer em três oportunidades, uma vez que o Japão havia sediado uma edição olímpica três vezes antes da última (1964, 1972 e 1998).


Porém a pandemia de COVID-19 mudou drasticamente os planos e Tanaka ficou de fora do revezamento por pertencer ao grupo de risco, fazendo com que ela deixasse escapar a última oportunidade que teria.


Ela ocasionalmente interpretava Otelo e fazia pequenos passeios nos corredores do asilo. Seus hobbies incluíam caligrafia e resolução de problemas aritméticos. Ela tinha cinco netos e oito bisnetos.


Nesta última terça, dia 19 de abril de 2022, 9 dias depois de ter sido vista como a segunda pessoa mais velha a ter vivido (Chiyo Miyako era a pessoa mais velha do mundo até a sua morte em 22 de julho de 2018, aos 119 anos) morreu em um hospital em Fukuoka, encerrando assim sua trajetória de 116 anos e ainda viva. Sua morte foi anunciada em 25 de abril, conforme a notícia pode ser lida pelo site da TSJ MiraiNews.

Guerreira e aguerrida, Tanaka passou por vários problemas de saúde e foi infectada com a febre paratifoide quando tinha 35 anos. A doença acabou passando para sua filha adotiva, mas não fica claro se esse foi o ponto principal da morte da mesma


Dez anos depois, foi submetida a uma cirurgia após ser diagnosticada com câncer no pâncreas. Depois desta cirurgia, pouco se sabia sobre suas outras doenças posteriores, mas afirma dizer que nada foi maior ou parecido com as duas primeiras citadas até 2006.


Naquele ano, Tanaka foi diagnosticada com câncer colorretal e passou por cirurgia aos 103 anos.


Sua vida e longevidade foram notadas por seu segundo filho e sua esposa quatro anos depois, quando publicaram um livro chamado: "Em bons e maus momentos, 107 anos". 7 anos depois a sua longevidade chamou atenção da mídia coreana, onde a KBC passou a entrevistá-la.


Em 2019 foi agraciada pelo Guinness com dois prêmios, sendo um de "Pessoa viva mais velha do mundo" e outra de "A mulher viva mais velha do mundo".


Em 19 de setembro de 2020, no auge da pandemia, ela quebrou o recorde de japonês mais longevo, bem como a terceira pessoa mais velha do mundo, depois de superar a idade de Nabi Tajima de 117 anos e 260 dias. Em 10 de abril de 2022, ela superou a vida útil de Sarah Knauss para se tornar a segunda pessoa mais velha reconhecida.


Tanaka havia dito que gostaria de viver até os 120 anos, creditando sua fé em Deus, família, sono, esperança, comer boa comida e praticar matemática para sua longevidade.


Sua longevidade, juntamente com a de Jeanne Calment, contribuiu para o debate de que o tempo máximo de vida para os seres humanos poderia ser de 115 a 125 anos.

4 views